31/07/2017 07h24

Do papel de avós a produtos descartáveis, por Pe Crispim Guimarães

Divulgação Pe Crispim Guimarães

No último dia 26 de julho, celebramos o dia dos avós. Esta lembrança nos faz recordar a homenagem da Igreja Católica aos avós de Jesus, Joaquim e Ana, pais de Maria, é também oportuno na conjuntura social ocidental, porque chama a atenção para uma realidade cada vez mais presente e preocupante.

O papa Francisco, já nos primeiros dias de governo da Igreja, lembrou em seus discursos dos idosos e avós. Ele denuncia uma sociedade que rejeita o idoso, ao mesmo tempo que os encoraja, a continuarem a desempenhar o papel importante de ser a voz da experiência num mundo que prima pelo descartável.

No Brasil, o crescimento do número de pessoas com mais de 60 anos de idade passou (2005) de 9,8% para 14,3 ( 2015), isto é, em 10 anos aumentou 4,5% o número dos mais velhos e no mesmo período o número de crianças nascidas foi apenas de 3,8 pontos percentual, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta é uma realidade cada vez mais presente e que precisa ser enfrentada.

Enfrentamento, muitas vezes, passa longe da verdadeira situação desta “classe” cada dia mais numerosa, pensa-se imediatamente no bem-estar. Qual? Direito à previdência, aposentadoria, lazer, saúde, etc. O que se percebe em países ditos desenvolvidos, que tudo isso é direito e é bom tê-los, mas não é suficiente, o principal direito de um ser humano, é ser amado, valorizado pelo que é. O idoso na cultura dos povos, antes da filosofia utilitarista, sempre foi fonte de sabedoria acumulada, era de certa forma, o “oráculo” da comunidade.

A pastoral da Pessoa Idosa (PPI) da Igreja Católica, fundada em 2004, “tem por objetivo assegurar a dignidade e a valorização integral das pessoas idosas, através da promoção humana e espiritual, respeitando seus direitos, em um processo educativo de formação continuada destas, de suas famílias e de suas comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político, para que as famílias e as comunidades possam conviver respeitosamente com as pessoas idosas”.

A PPI toca no ponto nevrálgico do problema, a valorização da pessoa, porque a idade avançada não retira a dignidade de ninguém, não é porque ela não tem mais a força para produzir como o “mercado” deseja, que deixa de ser gente, ou que é menos importante que outras. Neste aspecto, torna-se comum ver pessoas idosas solitárias, embora de boas condições financeiras, não é um mal que atinge somente o pobre. É a cultura do descarte, onde o idoso é visto como “sobra”, peso, é ignorado por não conseguir acompanhar a desenvolvimento de uma sociedade hiperconectada, que idealiza o ser sempre jovem, como idealiza um carro do ano e descarta o velho, que valoriza sempre a roupa nova e joga no lixo a ainda usável. Por isso, é urgente imprimir na cultura o sentido da gratidão, do apreço e reconhecimento.

Nossa oração pelos nossos avós e avôs, como disse o Papa Francisco, “os quais, muitas vezes tiveram um papel heroico na transmissão da fé em tempos de perseguição. Quando nossos pais não estavam em casa, ou tinham ideias estranhas como as que a política ensinava naquela época, foram as avós a nos transmitir fé”. A Bíblia recorda que o mais velho é um lugar existencial de bênção. É bom lembrar: também nós seremos idosos um dia!

Sobre a temática, dia 11 de agosto, a Câmara de Vereadores, promoverá a Seminário: “Direitos dos idosos: novos olhares”, tendo na mesa de debatedores, entre outros convidados, a Ir. Terezinha Tortelli, Coordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, enfermeira obstetra, pós-graduada em Planejamento Familiar, pela Universidad do Chile, especialista em Gerontologia Social.

Pe. Crispim Guimarães

Pároco da Catedral de Dourados

Pe Crispim Guimarães

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