02/08/2017 09h49

Empresa acusa Venezuela de manipular votação da Constituinte

Segundo Smartmatic, governo alterou resultado em pelo menos 1 milhão de votos
  
 

O número sobre a participação do povo venezuelano na eleição da Assembleia Constituinte no domingo passado foi manipulado, informou nesta quarta-feira a Smartmatic, empresa que trabalha na contagem de votos do sistema eleitoral da Venezuela desde 2004. Segundo a companhia, o resultado foi alterado em pelo menos 1 milhão de votos.

A Smartmatic fornece a plataforma tecnológica de votação e serviços para eleições na Venezuela, incluindo a da Constituinte. No entanto, na Constituinte não houve prescença de auditores da oposição, fundamentais para testemunhar o processo, disse a companhia.

"Graças à existência deste robusto sistema automatizado de votação é que podemos saber, sem espaço para duvidas, que nas eleições passadas da Assembleia Nacional Constituinte, houve manipulação do dado de participação", indicou a Smartmatic em uma declaração pública, segundo a BBC Mundo. "Uma auditoria permitira conhecer a quantidade exata de participação. Estimamos que a diferença entre a quantidade anunciada e a que mostra o sistema é de ao menos 1 milhão de eleitores.

O governo venezuelano anunciou no dia seguinte à Constituinte que mais de 8 milhões de venezuelanos teriam votado no domingo, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), configurando 41,53% de participação entre os 19,8 milhões de eleitores registrados. O número já havia sido questionado pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), que estimou apenas 2,48 milhões de pessoas votando, o que representa 12% do eleitorado.

Perguntas e respostas sobre a Assembleia Constituinte da Venezuela
1 de 7


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura uma cópia da Constituição enquanto fala com membros do conselho de defesa em Caracas Foto: HANDOUT / REUTERS

O que é?

A Assembleia Nacional Constituinte é como um “superpoder” que reescreve as leis da Venezuela. O controverso processo impulsionado pelo presidente Nicolás Maduro reformará a Carta Magna promulgada pelo presidente Hugo Chávez em 1999. O processo pode refazer todas as instituições do poder, trazendo muitas incertezas.

Quem são os eleitos?

Dos 545 membros eleitos à Constituinte, 364 serão eleitos por votação territorial, 173 por setores sociais (como estudantes, pensionistas e trabalhadores públicos) e 8 por comunidades indígenas — valorizando bases pró-chavismo. De 50 mil inscrições, só 6.120 foram validadas, entre elas as de poderosos dirigentes chavistas.

O que a oposição alega?

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) boicotou o processo, dizendo que Maduro era obrigado a submeter a convocatória a um referendo popular. Além disso, afirma que o processo servirá para acabar com a Assembleia Nacional, hoje sob amplo domínio opositor. O processo é alvo de manifestações reprimidas com violência.

Qual a adesão ao processo?

Neste mês, a oposição realizou um referendo, sem caráter vinculante, no qual a imensa maioria dos 7,6 milhões de votantes se disse contra a Constituinte. Segundo o instituto Datanálisis, 70% dos venezuelanos rejeitam a Constituinte e Maduro.

Existe quórum de participação?

Mesmo com baixo apoio à Constituinte, não há quórum de comparecimento. Analistas, no entanto, veem que uma baixa participação nas urnas afetaria a legitimidade da Constituinte. Nas eleição parlamentar de 2015, a base eleitoral do chavismo foi de 5,7 milhões.

O que pode vir da nova Constituição?

O cenário é de total incerteza. Como a nova Assembleia Constituinte poderá reescrever todos os Poderes, o modelos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário podem ser redesenhados, derrubando os ocupantes atuais. O impasse institucional fez do processo alvo de críticas até de setores chavistas.

A oposição perde sua voz institucional?

A partir de 2 de agosto, os 545 membros eleitos à Assembleia Constituinte ficam na sede do Parlamento, hoje de ampla maioria opositora, durante um período indefinido. Ainda não se sabe para onde será transferido o Legislativo, que se tornaria uma instituição paralela e poderia deixar de ser válida.

 

Segundo o diretor da Smartmatic, Antonio Mugica, não há dúvidas sobre a manipulação do pleito. A informação ainda não tinha sido passada às autoridades venezuelanas, pois estava sendo verificada até o momento:

— Passamos os últimos dois dias nos assegurando de que o que estamos dizendo é verdade, que é preciso — explicou. — Não sentimos que alertar as autoridades do CNE antes de fazer esta declaração fosse correto. Pensamos que as autoridades não iam gostar do que tínhamos a dizer.

 

Entre 2004 e 2015, a Smartmatic participou de 14 eleições na Venezuela, estabelencendo mais de 500 mil urnas de votação e processando mais de 377 milhões de votos na Venezuela, segundo dados da companhia, indica a BBC Mundo.

A Assembleia Nacional Constituinte eleita no domingo deve ser instalada na quinta-feira no Palácio Legislativo em Caracas, dando espaço a 545 integrantes que irão redesenhar a Constituição Venezuelana. Entre os participantes da nova Assembleia, estão a mulher e o filho do presidente Nicolás Maduro. Deputados opositores do atual Parlamento já se organizam para rejeitar as medidas tomadas pelo novo grupo legislador. A oposição marcou para quinta-feira uma manifestação contra a inciativa do governo chavista.

As promessas de Maduro e dos candidatos à Constituinte
1 de 6


Propostas variadas

Conseguir a paz ou alimentos subsidiados, as promessas para a Assembleia Constituinte na Venezuela se caracterizam por seu teor vago. O presidente Nicolás Maduro planeja "aperfeiçoar" a economia, entre propostas variadas dos 6.120 aspirantes, como preservar o "amor". A oposição sustenta que a Constituinte pretende perpetuar Maduro no poder.

Comissão da verdade

O presidente anunciou que um dos primeiros passos da Constituinte será instalar uma "comissão da verdade para investigar os crimes da direita" durante os protestos que exigem a sua saída do poder e deixaram 113 mortos desde 1º de abril. Em uma propaganda, a candidata Dexy Gómez prometeu "garantir a paz e o amor".

Recuperar a economia

Maduro também planeja "aperfeiçoar o sistema econômico" para superar o enfraquecimento petroleiro, uma das raízes da crise do país. Na quinta-feira, no encerramento da campanha, mostrou um livro intitulado "Venezuela, o país das mil e uma oportunidades", que guia as propostas econômicas. Maduro quer uma lei de controle de preços contra especulação.

Constitucionalizar missões

Outra das promessas é constitucionalizar as "missões", como o governo chama os seus programas sociais, e o "Carnê da Pátria", cartão eletrônico para ter acesso a esses planos e para comprar alimentos subsidiados. Ele quer formalizar seu projeto de construção de moradias, cestas de comida subsidiadas e de emprego para para jovens.

Melhorar a segurança

Maduro quer reformar o sistema policial e endurecer as penas contra estupro, sequestro, homicídio e terrorismo. A Venezuela registrou 21.752 homicídios em 2016, uma taxa de 70,1 para cada 100.000 habitantes, de acordo com o Ministério Público. O aspirante Héctor Idrogo propôs "um capítulo dedicado a transportes mais seguros".

Democracia participativa

Maduro também propõe "novas formas da democracia participativa e protagonista", o que para a oposição significará um sistema eleitoral setorizado que privilegiaria o voto chavista, como, para eles, já ocorre com a Constituinte. A candidata Oneida García quer "dar poder à comunidade e aos conselhos comunitários", grupos organizados do governo.

 

O Globo

Vídeos

  • Invernada Juvenil do CTG Recanto da Laguna
  • Invernada Juvenil do CTG Recanto da Laguna na Fenart 2017
  • Invernada Mirim classificada pra final da fenart 2017

Agenda

Publicidade