27/03/2017 08h57

MST ocupa Usina São Fernando para cobrar agilidade na reforma agrária

Representantes do MST (Movimento dos Sem-Terra) ocuparam novamente, na manhã desta segunda (27), a Usina São Fernando onde ficarão até que o presidente nacional do Incra, Leonardo Góes, venha a Dourados negociar com os trabalhadores.

O dirigente do MSTB, Douglas Vanildo Elias, disse que a pauta é a mesma da ocupação anterior, que ocorreu no dia 6 de março, que foi denominada de "Carnaval Vermelho". Desta vez, os manifestantes ocuparam um dos prédios.

Elias, que está acompanhado por dezenas de famílias de sem-terra, disse que a ocupação é por tempo indeterminado. Não vão deixar a usina até que sejam atendidas as reivindicações. O movimento ocorre em nível nacional. "Estamos ocupando em quatro estados [Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Tocantis]", disse Elias, que está no local acompanhando a movimentação na Usina São Fernando.

Segundo o dirigente, o movimento reivindica a Fazenda São Marcos, que seria parte do Grupo, para fins de reforma agrária. "O Bumlai deve R$ 1,7 bilhões a bancos públicos e privados e isto inclui a empresa na Portaria 04 que determina que instituições devedoras sejam destinadas para a Reforma Agrária", disse. A usina e a fazenda pertencem aos filhos do pecuarista José Carlos Bumlai.

O pecuarista José Carlos Bumbai foi preso durante a 21ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Passe Livre, e tornou-se um importante personagem no quebra-cabeça do esquema bilionário de corrupção na Petrobras e em outras empresas.

Próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Bumlai tinha acesso livre ao gabinete da Presidência durante os oito anos de mandato do petista.

Assembleia de credores

Durante assembleia de credores da São Fernando, realizada no dia 16 de março, os MST não pode participar. Dirigente e membros do MST ficaram do lado de fora e foram barrados pelo cordão policial que se instalou à frente do Cerrado Brasil.

No ano passado, duas assembleias chegaram a ser marcadas, mas foram canceladas por determinação judicial. A última havia sido programada para o dia 18 de novembro de 2016, com segunda chamada para o dia 1º de dezembro. No entanto, foi suspensa após o grupo de credores representados pelo BNP Paribas ingressar com agravo de instrumento.

"Neste plano de recuperação judicial, são requentes as empresas São Fernando Açúcar e Álcool Ltda; São Fernando Energia I Ltda; São Fernando Energia II Ltda; São Marcos Energia e Participações Ltda; São Pio Empreendimentos Participações Ltda e Vinicius Coutinho Consultoria e Perícia S/A Ltda", informou a consultoria.

A usina está em processo de recuperação judicial há três anos e atualmente acumula uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

A São Fernando tenta evitar a falência. A empresa já reconheceu perante o titular da 5ª Vara Cível de Mato Grosso do Sul, o juiz Jonas Hass Silva Júnior, que não consegue cumprir o cronograma de pagamento de seus credores. A estratégia da defesa, feita pelo escritório Dias Carneiro Advogados, foi a de pedir a realização de uma nova assembléia para aprovar um outro plano.

Conhecido no agronegócio pela produção pecuária, Bumlai entrou no setor sucroalcooleiro em 2007 durante o "boom do etanol", período de euforia com o biocombustível e que teve como um entusiasta o próprio Lula, presidente do país à época e amigo do pecuarista. Naquele momento, não somente a família Bumlai se aventurou no setor, mas uma dezena de empresas, muitas estrangeiras, fizeram apostas de milhões de dólares em etanol e perderam muito dinheiro.

A crise do setor sucroalcooleiro, que abateu também a São Fernando, teria afetado o negócio de criação de gado da família, que chegou a ser dona de 150 mil cabeças no início da década passada. Propriedades da família, tais como fazendas e imóveis urbanos, foram dadas como garantias aos empréstimos contraídos pela usina. Em uma eventual decretação de falência, os bens serão transferidos à massa falida, para pagamento dos credores.

O Progresso

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