15/09/2017 13h33

"Giro Solidário" promete dinheiro rápido e fácil, mas é crime e pode dar oito anos de prisão

Divulgação Exemplo de mandala do giro solidário

Um novo esquema de pirâmide financeira vem sendo compartilhado nas redes sociais em Mato Grosso do Sul e chegou a Laguna Carapã, e vem chamado atenção de muitas pessoas que procuram dinheiro rápido e fácil. O “Giro Solidário” funciona no modelo de "mandala", que necessita do recrutamento frequente de novos membros em um grupo de Whatsapp. O convite é atraente e assegura que se o participante investir R$125, ele terá R$ 1.000 de retorno.

Apesar de até o momento não haver nenhum registro formal sobre esse tipo de ocorrência, a prática de pirâmide é enquadrada como um crime contra a economia popular tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51: "obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos ("bola de neve", "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros equivalentes)".

Apesar de se tratar de crime contra a economia popular, o que se tem visto nas redes sociais ultimamente é um flagrante de desconhecimento quanto ao assunto. A pirâmide financeira entrou em 2017 com um novo formato e um sofisticado esquema de captação que, se ainda não chegou, muito em breve estará no seu Whatsapp ou Facebook: a mandala, ou Giro Solidário. Com a promessa de um lucro até oito vezes maior que o "investido", o Giro Solidário vem fazendo cada dia mais vítimas.

O esquema já é alvo de investigação pelo Ministério Público e Polícia Civil no Mato Grosso do Sul, ainda sob sigilo. "A mandala ou Giro Solidário é uma variação de pirâmide financeira, que é um crime antigo contra a economia popular, previsto em lei desde 1951. O esquema surgiu nos Estados Unidos e se espalhou pelo Brasil, iniciando no Norte e Nordeste, chegando há pouco tempo aqui no Centro Oeste.

O Giro Solidário, chamado também de "pirâmide de fundo de quintal", funciona da seguinte forma: é formado um grupo que participa de quatro níveis diferentes (fogo, ar, terra e água), sendo 8 pessoas no primeiro nível, 4 no segundo, 2 no terceiro e 1 no centro. Quando a pessoa entra, ela deve investir um valor X: R$125, por exemplo. Para a girar é necessário a entrada de novos integrantes. Ao chegar ao centro da mandala, a pessoa receberia 8 vezes o valor investido, ou seja, cerca de R$1 mil, por exemplo. À medida que o grupo aumenta, ele é desmembrado em outros. E depois que a pessoa recebe, ela pode, se quiser, reiniciar outro ciclo.
Como o recebimento depende da adesão de novos membros, o risco de calote é alto.

"Geralmente são atraídos os consumidores mais fragilizados, em um momento mais sensível da vida". Um homem que pediu para não ser identificado contou que investiu R$125 e recebeu R$1 mil. O problema foi a "indicação" de parentes e amigos para sustentar o esquema: cinco deles, que investiram R$125 cada um, perderam o dinheiro. Ele contou que entrou no grupo a convite da namorada. Ela chegou a receber R$1 mil, mas devolveu parte do dinheiro porque o grupo não se sustentou. "O grupo fica parado quando as pessoas param de entrar. No início dá certo, mas depois não. Tem sempre que entrar alguém para pagar por isso. É uma prática arriscada", relata. Ele disse ainda que após retirar o "prêmio", chegou a entrar em outras duas mandalas, investindo mais R$125 em cada uma, mas o valor foi perdido. "É difícil, porque a gente às vezes faz o pagamento para uma pessoa que nunca viu e aí não tem como cobrar. No caso de amigos e família, é uma situação complicada. Por enquanto, ninguém me cobrou ainda", explica.

O que costuma ocorrer é que depois de um ou dois giros, a partir do momento em que o “investidor” se sente tentado em investir um valor maior, o responsável pelo Giro some e todos ficam com o prejuízo. Estejam atentos, inclusive com o compartilhamento dessas “propagandas” que poderão trazer problemas, já que a prática de pirâmide ou similar é enquadrada como um crime contra a economia popular tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51: “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes)”. O principal meio de divulgação deste esquema tem sido as redes sociais, como Facebook e Whatsapp. A pessoa que induzir outra para entrar no “esquema” já está cometendo a infração.

Olhar Direto

Vídeos

  • Invernada Juvenil do CTG Recanto da Laguna
  • Invernada Juvenil do CTG Recanto da Laguna na Fenart 2017
  • Invernada Mirim classificada pra final da fenart 2017

Agenda

Publicidade