19/01/2017 10h41

Casal é morto e filho de 6 anos passa dois dias ao lado dos Corpos em MS

Menino contou que atirador usou luz de celular para encontrar casal.
'Ele está com a gente, mas assustado e debilitado', afirma avó paterna.


A avó paterna do menino de 6 anos Izabel da Silva, que viu os pais serem assassinados e ainda passou dois dias ao lado dos corpos, na região do assentamento Corona, no sul de Mato Grosso do Sul, diz que o garotinho se escondeu atrás de um sofá com medo de ser morto pelos atiradores.

"Ele falou: vovó, chegaram dois homens e eles usaram o celular para iluminar meu pai e atirar. Eles colocaram a luz no rosto do meu pai e atiraram. Depois eles mataram a minha mãe. Eu escondi atrás do sofá para eles não me verem. Eu fiquei com medo de morrer", contou Izabel.

De acordo com a dona de casa, no barraco onde a família morava não tinha energia elétrica. Como estava totalmente escuro, o menino continuou escondido. "Ele diz que só saiu de dentro de casa quando o dia amanheceu. Aí ele viu os corpos no chão. Depois disso foi para a beira da rodovia, perto do barraco", afirmou a avó.

O velório e o enterro do casal aconteceram em Laguna Carapã, a 295 quilômetros de Campo Grande, nesta terça-feira (17). O garotinho não participou. Ficou na casa de uma amiga da família no assentamento Corona, onde vai morar com os avós. "Ele está com muito medo. Muito assustado. Está debilitado também. Está com olheiras. Mas consegue contar tudo o que aconteceu", explicou Izabel.

A mulher ainda disse não suspeitar por qual motivo o filho e a nora foram mortos. "Eles não tinham desavença com ninguém. A gente pelo menos não sabe", disse.
Investigação

De acordo com o delegado Edemilson José Holler, da 2º Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, os avós paternos vão ficar com a guarda da criança. Ainda não há data para que o menino seja ouvido. O depoimento dele vai ser colhido com a ajuda de psicólogo e assistente social.

Até o momento, apenas o avô do garotinho foi ouvido pela polícia. "O pai do rapaz que foi morto chegou a comentar que o casal era usuário de drogas. Falou também que o filho estava envolvido em um homicídio. Nós procuramos informações nos nossos sistemas a respeito desse caso, mas não encontramos nada", afirmou o delegado ao G1.

O crime
De acordo com o delegado, indígenas estranharam o fato do menino estar sozinho na estrada, foram até o barraco onde ele morava para saber o que estava acontecendo e viram os corpos dos pais já em estado de decomposição caídos no quarto. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), que tem uma base próximo do local onde aconteceram as execuções, foi chamada e esteve no local.

Conforme Edemilson Holler, "a criança contou que dois homens chegaram em uma moto e atiraram nos pais dela. Ela deve ter saído da casa por causa do mau cheiro que já tinha se alastrado. Acredito que ela tenha se alimentado sozinha durante o tempo que passou sem os pais", explicou.

Ainda segundo o delegado, a perícia esteve no local e constatou que o casal foi morto com mais de dez tiros.

G1 MS

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