29/03/2017 09h29

PF prende líder do narcotráfico internacional em MS

Foto: Midiamax Delegados da PF revelam detalhes da Operação

A prisão do traficante aconteceu na manhã de hoje durante a realização da "Operação All In" para desarticular organização criminosa n os estados de MS, MT, PR, SP, GO e MG

Por Marli Lange

Um conhecido líder de quadrilha de narcotraficantes internacional, G.P, de 59 anos, foi preso na manhã de hoje pela Polícia Federal (PF), em Campo Grande, durante a realização da "Operação All In" , que serviu para desmantelar uma organização criminosa que agia nos estados de MS, MT, PR, SP, GO e MG. A operação terminou com a prisão de quatro traficantes, só em Campo Grande e, apreensão de R$ 7,5 milhões em bens. G.P foi preso em sua residência no Jardim Leblon, na Capital. Sua esposa S.M.S. também foi conduzida até a sede da superintendência da Polícia Federal.

O narcotraficante já teria sido preso por organizar e executar o sequestro um Boeing da Vasp, em 2000. Ele também teria liderado um comando uma facção criminosa em Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, que concedeu uma coletiva ontem de manhã em Campo Grande para detalhar a Operação, G.P é piloto de avião e acumula passagens pela polícia desde 1991, quando foi preso em Campinas (SP) transportando drogas. A chamada Operação Mingau, que apreendeu 500 quilos de cocaína e 200 tonéis de substâncias químicas usadas na fabricação de drogas, apreendeu na ocasião carros, caminhões, casas e fazendas do acusado, além de lhe deixar sete anos preso.

Sequestro avião

Em 16 de agosto de 2000, no entanto, o narcotraficante alcançou o topo do crime organizado ao liderar o sequestro de um Boeing-737-200 da Vasp, com 61 passageiros e seis tripulantes que fazia a rota Foz do Iguaçu a São Luís. O voo foi desviado na ocasião por oito homens armados para uma pista de pouso em Porecatu, no interior do Paraná, a cerca de 70 km de Londrina (PR).

Os sequestradores levaram na ocasião R$ 5 milhões que estavam no compartimento de cargas do avião. Depois de abandonada pelos ladrões, a aeronave, que faria ainda paradas em Curitiba, Rio, Brasília e São Luís (MA), acabou pousando em Londrina.

De acordo com a PF, o sequestro do avião foi o ponta pé inicial do traficante na escalada ao crime organizado em Mato Grosso do Sul. Em 2005, quando cumpria pena por 30 anos pelo caso do avião, no presídio da Gameleira, em Campo Grande, começou a liderar uma série de rebeliões, uma delas no Dia das Mães, onde cerca de sete desafetos foram executados com requintes de crueldade. Foi nesta época que assumiu o posto de principal contato da liderança paulista de uma organização criminosa e inclusive ajudou na escritura do novo testamento da facção.




Nas páginas policiais

Em setembro de 2007, G.P voltou aparecer nas páginas policiais, após ser preso como líder de uma quadrilha que traficava uma tonelada de maconha. Na apreensão, os policiais encontraram 511 tabletes escondidos na carroceria de um caminhão sob uma carga de caixas de papelão, entre Campo Grande e Sidrolândia. Um ano depois, estava de volta às manchetes acusado pela Polícia Civil de ser o mentor de nova série de rebeliões nos presídios locais.

Diante de todo esse histórico, G. P causou revolta quando, em novembro de 2010, o juiz substituto da 1ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto, concedeu o direito de ele responder toda a pena restante, de 66 anos e 9 meses de prisão, em regime semiaberto.

Segundo a PF, é ele quem movimentava o patrimônio apreendidos na operação de ontem, em Corumbá, onde funciona a sede das operações. O dinheiro foi obtido, principalmente pelo tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. Segundo divulgado preliminarmente pelos agentes, o esquema da quadrilha envolvia a revenda de drogas de Corumbá para Campo Grande; Curitiba, Londrina, Campina da Lagoa e Ibiporã (PR); Sorriso (MT); Goiânia (GO); Ribeirão Preto (SP) e Nova Serrana e Monte Carmelo (MG).



Usuários e mendigos seviam de "laranja"

A quadrilha de narcotraficantes, que agiam em MS e outros estados, presos na manhã de hoje, usavam como "laranjas" pessoas com doenças graves, moradores de rua e principalmente usuários de drogas. A quadrilha liderada por G.P usava os nomes dessas pessoas para fazer transferências bancárias, registrar e transferir imóveis, veículos e até aeronaves.

Os documentos dos laranjas muitas vezes eram conseguidos em locais de consumo de droga, as chamadas "cracolândias". Com procurações falsas, várias contas bancárias foram abertas. A quadrilha teve pelo menos R$ 7,5 milhões em bens apreendidos, entre eles, dinheiro que estava escondido em fundo falso da residência de G.P, em Campo Grande. Também foram apreendidas seis aeronaves e pelo menos 35 veiculos veículos. Um aeródromo foi interditado em Corumbá. O local é apontado como um dos principais pontos de entrada de aviões no país, carregados com cocaína trazida da Bolívia pela quadrilha.

De acordo com a Polícia Federal, os traficantes contavam com a participação de aproximadamente 30 pessoas, que atuavam em várias funções de logística e transporte de entorpecentes. Despachantes ajudavam na compra de veículos, advogados falsificavam documentos, atuavam na defesa de integrantes da quadrilha e ajudavam na distribuição de drogas.

Dos 18 mandados de prisão, 16 foram cumpridos em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Minas Gerais e São Paulo. Também foram bloqueados dinheiro de 68 contas correntes, sequestrados cinco imóveis e apreendidos mais de 30 veículos adquiridos por meio de práticas criminosas. Segundo informações da PF, o bando entrava com entorpecentes no Brasil com aeronaves, na maioria das vezes, a partir de Corumbá. A distribuição era feita para a região sudeste do país por via terrestre, quase sempre em caminhonetes e caminhões com compartimentos falsos.

A investigação durou um ano. Neste período foram presos três integrantes da quadrilha com 800 quilos de cocaína. As prisões foram feitas no momento em que os traficantes transportavam o entorpecente. A quadrilha vai responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.

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