16/06/2016 07h58

Sítios também são invadidos por indígenas e proprietários são expulsos

Caarapó News Policiais passaram a tarde em negociação com índios que ocupam fazendas em Caarapó

Os procuradores da República argumentam que a prioridade é salvar vidas

Policiais passaram a tarde em negociação com índios que ocupam fazendas em Caarapó
O dono de uma pequena propriedade rural localizada próximo a aldeia Te’Yikuê entrou em contato com a reportagem do CaarapoNews na tarde desta quarta-feira (15) para relatar e denunciar novas invasões na região.

O pequeno produtor, que preferiu não se identificar, por temer represálias, disse que foi expulso do seu sítio, que teria sido invadido por indígenas armados. “Um grupo de indios chegaram armados e começaram a destruir tudo e levar vários de nossos pertences para aldeia. Eles chegam armados, expulsam os moradores e depois colocam famílias indígenas e partem para outras propriedades. Precismos de ajuda, estamos perdendo tudo o que é nosso e não podemos fazer nada”, desabafou.

Nas redes sociais, Claudete Coutinho, também moradora de uma propriedade na região, relatou que estava em estado de choque, “Os índios invadiram meu sítio, mataram vaca, meu animais. Meu Deus, colocaram fogo, meu Deus” (sic).

Proprietário de um sítio de 17 hectares também ocupado na manhã de ontem, Ademir Ramos, de 42 anos, lamentava ao jornalista André Bento ver a fumaça subindo entre as árvores que cercam a sede de sua propriedade. “Eu nasci e fui criado aqui. Os índios saíram da Fazenda Yvu e invadiram meu sítio”, explicou, junto a outros funcionários de fazendas que observavam a uma distância de 800 metros o grupo de indígenas. Era possível ouvir disparos.

Até chegar nessa propriedade, que fica no outro extremo da aldeia, onde a polícia não foi, percebia-se claramente o clima de medo. Funcionários de fazendas da região mandaram filhos e mulheres para a cidade. Alguns nem dormiram no trabalho, receosos de novas ocupações e possíveis confrontos.

Apesar de um pequeno avanço nas negociações, o clima de tensão no local não diminuiu. Uma indígena afirmou que as ocupações vão continuar a ocorrer nas propriedades vizinhas à aldeia. “As lideranças estão decidindo que vamos ficar porque vamos retomar as terras que são nossas”, disse. Diante das queixas de produtores que alegam prejuízos, os procuradores da República argumentam que a prioridade é salvar vidas; retirar máquinas agrícolas e colher a safra de milho devem entrar na pauta de negociações futura, assim que o conflito for contido. (Colaborou André Bento)

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