20/06/2017 09h09

PF encontra indícios de crime de corrupção contra Temer

Divulgação/Rodrigo Rocha Loures Rocha Loures era identificado em Brasília como uma pessoa próxima de Temer, de quem foi assessor.

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu relatório parcial das investigações da Polícia Federal no inquérito do qual o presidente Michel Temer faz parte. Para os investigadores, houve crime de corrupção. A conclusão leva em consideração, além dos indícios e de outras provas, duas conversas entre o diretor da JBS Ricardo Saud e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures que já foram periciadas e ajudam a reforçar os indícios de crime.

 

Procurada, a Polícia Federal não comentou o relatório e nem quis se manifestar. Foi pedido ainda um prazo adicional de cinco dias para apresentar uma conclusão sobre o crime de obstrução de Justiça. Esse tempo será usado para concluir a perícia no audio da gravação do dono da JBS Joesley Batista com o presidente Temer. A PF teria optado por ser mais cautelosa nesse ponto.

O prazo inicial dado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, foi de dez dias. Depois, a pedido da PF, foram concedidos mais cinco dias. Agora, o ministro vai decidir se estende ainda mais o prazo.

Michel Temer é investigado pela Procuradoria-Geral da República, que deve oferecer denúncia contra eles nos próximos dias com base na delação dos donos e executivos da JBS. Na semana passada, a defesa de Temer pediu o arquivamento do inquérito, argumentando que não havia elementos probatórios mínimos na investigação para justificar a apresentação de denúncia.

Nesta segunda-feira, o procurador-geral, Rodrigo Janot, enviou ao STF parecer contrário ao pedido de arquivamento do inquérito. Janot argumentou, no entanto, que só vai analisar o pedido mais a fundo quando receber a conclusão das investigações da Polícia Federal. Com o material em mãos, o procurador-geral vai decidir se arquiva ou se apresenta denúncia contra Temer perante o STF.

“Assim, considerando que os autos do inquérito ainda não aportaram a esse Tribunal — já que ainda não foi finalizado o prazo assinalado, a Procuradoria-Geral da República aguardará o recebimento das peças de informação para analisá-las, juntamente com os argumentos aqui expendidos”, escreveu o procurador.

AÇÃO CONTRA JOESLEY

A defesa de Temer entrou hoje com uma ação por calúnia, injúria e difamação contra o dono da JBS, Joesley Batista, na 12ª Vara Federal de Brasília. O motivo é a entrevista concedida pelo empresário à revista “Época”, na qual acusa Temer de chefiar “a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. Segundo Joesley, Temer não fazia cerimônia para pedir-lhe dinheiro em nome do PMDB e que o presidente articulava uma campanha para estancar a operação Lava-Jato.

Michel Temer também divulgou, nesta segunda-feira, um vídeo nas redes sociais no qual diz que "criminosos não sairão impunes". Ele não citou o empresário Joesley Batista.



TEMER TAMBÉM FOI GRAVADO

Em depoimento após delação premiada, Joesley Batista disse aos investigadores que o Temer era o destinatário final da mala com R$ 500 mil entregue a Rocha Loures. O dinheiro foi devolvido pelo ex-deputado, que também atuou como assessor da Presidência. Rocha Loures está preso.

Temer também é investigado por obstrução à Justiça. O presidente foi gravado por Joesley em uma conversa no Palácio do Jaburu, que não foi registrada na agenda oficial da Presidência. No encontro, o dono da JBS disse que estava "de bem" com Eduardo Cunha na cadeia, "todo mês", e Temer respondeu: "tem que manter isso, viu?". O diálogo foi interpretado pelos investigadores como uma tentativa de comprar o silêncio do ex-deputado.

Na mesma gravação, Joesley disse a Temer que estava "segurando" dois juízes e obtinha informações de investigações contra ele porque pagava a um procurador da República. Nas gravações, o presidente responde: "bom, bom". Temer foi questionado por não repreender o empresário, que relatava crimes.

Temer não nega o conteúdo da conversa. No entanto, o presidente desqualifica a integridade do aúdio, o que levou a gravação a ser periciada pela Polícia Federal.

Na entrevista à "Época", o dono da JBS garantiu que a gravação não foi manipulada. Por outro lado, um perito contratado por Temer disse que, segundo uma análise preliminar, o áudio tinha "70 pontos de obscuridade".

 

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