14/04/2016 12h31

Pílula do câncer, fosfoetanolamina tem produção e venda liberadas

Estudiosos afirmam que não há pesquisa que comprove eficiência da substância

 


A fosfoetanolamina, mais conhecida como "pílula do câncer", teve sua produção e venda liberada a partir desta quinta-feira (14). A lei que permite a comercialização e o uso da substância foi sancionada pela presidente Dilma Rouseff em meio à controversas sobre a eficácia da mesma.

Muitos estudiosos afirmam que não há pesquisa suficiente que comprove a eficiência da substância. Mas para quem está em tratamento, a fosfoetanolamina é uma esperança a mais de vida.

Em Mato Grosso do Sul, a advogada e diretora jurídica da Cassems, Flavia Robert, morreu em novembro do ano passado, aos 42 anos, vítima de um câncer de colo de útero. Ela havia conquistado na Justiça o direito de receber as cápsulas de fosfoetanolamina, apontada como possível cura para diversos tipos de câncer, mas faleceu antes que o medicamento fosse fornecido pela USP de São Carlos.

A assistente social e árbitra de atletismo Lucila Cleufa Totola Carbajal, que lutava há 10 anos contra um câncer de mama e pulmão, também morreu em março deste ano aguardando a medicação. A família chegou a entrar na Justiça para que a substância fosse lçiberada para Lucila, mas o pedido foi negado.

Já quem é a contra a liberação diz faltar estudos que confirmem se o composto é realmente eficaz ou se não é uma ameaça à saúde dos pacientes. Ressaltam ainda o risco de a aprovação abalar a imagem do controle sanitário no país.

"Não sabemos se funciona, se é tóxico, se interfere no tratamento convencional. Não sabemos nada a respeito da pílula. Estamos no escuro", afirma o oncologista Auro Del Giglio, do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. Para ele, a pílula "não deve ser assunto político".


Para o oncologista Otávio Clark, CEO da Evidências – Kantar Health, empresa que realiza avaliações de tecnologias em saúde, o legislativo está abrindo as portas para uso irresponsável de substâncias, quando deveria estar se debruçado sobre a legislação da pesquisa clínica para, aí sim, seguindo os preceitos da boa medicina e da boa pesquisa, facilitar o acesso dos nossos pacientes às pesquisas sérias.

O texto diz que a produção da substância só pode ser feita por "agentes regularmente autorizados e licenciados pela autoridade sanitária competente", mas não estabelece de forma detalhada como e quando se dará essa produção, nem esclarece como será feita sua distribuição.

O texto, redigido por deputados, também não deixa claro onde essa substância será vendida, nem quais serão seus custos.

Uol

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