20/05/2016 09h21

Produtores rurais de Laguna, Caarapó e Amambaí se articulam para fazer defesa de suas terras

Fotos: Alô Caarapó Presidente do Sindicato Rural de Laguna Carapã participou da reunião sobre demarcação de terras

Produtores desses municípios se reuniram na última quarta-feira (18) para discutirem demarcação de 55,6 mil hectares de terras indígenas no MS.

 

Por Simone Burin

Otimista em revogar o decreto, junto ao Governo Temer, a Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) se reuniu nessa quarta (18), no Parque de Exposições de Caarapó, com 550 produtores, para definir as ações que vão assegurar o direito à propriedade de cerca de 120 produtores rurais dos municípios atingidos pela demarcação das terras indígenas. Conforme decreto da Fundação Nacional do Índio (Funai), assinado pela Presidente Dilma Roussef no último dia 12, terão até o dia 10 de agosto para fazerem as defesas administrativa, jurídica e antropológica de suas terras.

O advogado da Famasul, Gustavo Passarelli participou do encontro e orientou os produtores. Segundo ele, todos devem reunir a documentação da propriedade, como escrituras antigas e atuais, investimentos em reformas, fotos antigas de infância, boletins de ocorrências de invasões indígenas, entre outros: "O produtor não deve ficar preocupado com a falta de documentação e atrasos burocráticos em cartórios. O importante é dar entrada na defesa", concluiu o advogado.

Outra orientação do advogado é quanto a necessidade de cada produtor apresentar sua própria ação "A ação individual tem realidades distintas e são mais eficientes que as coletivas", esclareceu.

O Presidente do Sindicato Rural de Laguna Carapã, João Firmino Neto, esteve presente na reunião com uma comitiva de produtores rurais do município. João Firmino ressalta que duas posições são imprescindíveis no momento, “precisamos agora ter esperança no presidente interino Michel Temer, para que ele revogue essa portaria que foi divulgada pela então presidente Dilma quando saiu do governo, precisamos também ter calma, para não tomar nenhuma medida precipitada que depois vai trazer consequências piores”, salientou o presidente.

João Firmino salientou que os produtores foram pegou de surpresa com essa decisão, “estamos aqui trabalhando para produzir alimentos para o Brasil e fomos pegos de surpresa, agora teremos que correr atrás de documentação e advogado para provar nossos direitos, o que queremos é paz para continuarmos produzindo alimentos e tirando nosso sustento”, frisou.

O presidente salientou também que essa demarcação não irá afetar somente os produtores rurais, pois as áreas demarcadas são extensas e irão afetar drasticamente a economia dos municípios gerando desemprego e outros prejuízos à região.

O clima é tenso, pois acredita-se que se houver invasão de terra pelos indígenas há possibilidade de conflito entre indígenas e produtores rurais.

 

O decreto

O decreto promove a demarcação de 55,6 mil hectares de terras indígenas nos municípios de Caarapó, Laguna Carapã e Amambai, no Mato Grosso do Sul. A área corresponde a 30 mil hectares em Caarapó, 20 mil hectares em Amambai e 5 mil hectares em Laguna Carapã.

Se o Governo reconhecer as áreas demarcadas, como terras indígenas, os produtores de Caarapó, Amambai e Laguna Carapã serão expropriados (expulsos sem direito à indenização).

As demarcações de terras indígenas no Mato Grosso do Sul corresponde a 250 mil hectares, área maior que o município de Caarapó (211 mil hectares).

 


Produtores Rurais de Laguna Carapã participarm de reunião no Sindicato Rural de Caarapó sobre a demarcação de terras.

Redação Laguna News

Vídeos

  • Invernada Juvenil do CTG Recanto da Laguna
  • Invernada Juvenil do CTG Recanto da Laguna na Fenart 2017
  • Invernada Mirim classificada pra final da fenart 2017

Agenda

Publicidade